O Velho Discurso!
Ao participar de uma
conferência sobre as próximas eleições Presidências no Brasil,
tive a experiência de ouvir três palestrantes, dois brasileiros e
um outro que não entendi bem se era brasileiro ou português, o
sotaque era de português.
O que me chamou a
atenção foi que, como ocorre no cenário político atual, os
palestrantes se limitaram a discussão de pontos de vistas, a partir
da percepção dos partidos. Foi discutido quanto a hegemonia do PT
nos últimos anos, idem PSDB, e mas uma vez, repetindo o discurso da
mídia, que a Marina Silva seria uma incógnita. O fato é que o que
poderia ser discutido, e a meu ver seria bem positivo, e que era o
objetivo da conferência, não foi aprofundado. O futuro e as
possibilidades a partir da eleição de um dos candidatos. Em outras
palavras, como na política, a visão de alguns acadêmicos não vai
além da concepção partidária e ideológica.
Mas a questão que
coloco é: por que não se discutiu propostas e projetos dos
candidatos?
A resposta é porque
apenas a candidatura da Marina possui um projeto escrito e que pode
servi como guia para um eventual governo e futuras cobranças. Pode
parecer que defendo a candidatura da Marina, e defendo, mas não sem
tentar, antes de tudo, ser crítico.
Um dos palestrantes
chegou a dizer que o programa de governo REDE/PSB era apenas uma
carta de intenções e que não era garantia de que seria cumprido.
Certo, é claro que é exatamente isto! Mas é, antes de tudo, um
compromisso que pode ser eventualmente cobrado em um futuro governo.
O Brasil é um universo complexo, e pela sua formação, único. Será
muito provável que ao se eleger a Marina não consiga executar tudo
que ali está, e terá que prestar contas. Ela se comprometeu com 4
anos de mandato, bem, este é já um ponto de partida. Educação
integral, outro ponto a ser cobrado. E por aí podemos seguir. O
Brasil e suas complexidades não serão transformados da noite para o
dia, e acredito que aqueles que votarão na Marina sabem disso.
Mais uma vez insisto
em colocar que a REDE é um projeto e se este projeto perder o seu
rumo, surgirá um outro e eu serei o primeiro, como cidadão, vir
aqui admitir e critica-lo. Este projeto não é a curto prazo, é a longo prazo
e apenas as gerações futuras poderão, talvez, usufruir de seus
resultados. A base deste projeto é a educação, acima de tudo, e a
reforma na forma de como fazemos política que é uma agenda
internacional criada a partir dos movimentos sociais. Apenas teremos
êxito neste projeto se criarmos agora as condições para que as
gerações futuras, as nossas crianças, estejam preparadas para
viver nesta nova realidade que queremos e almejamos. Queremos um
mundo melhor? Então temos que paralelamente a este mundo melhor,
criarmos e educarmos as nossas crianças para que eduquem seus
filhos, nossos netos, para viverem naquele mundo.
E finalmente, uma
crítica lançada foi a de que a REDE/PSB não havia uma agenda
externa. Bem, não vou entrar neste tema, mas está tudo ali,
descrito no programa de governo e disponível para download para quem
quiser ler. É lamentável constatar que em um ambiente onde as
pessoas deveriam ser responsáveis por aquilo que dizem, alguns falam
de coisas complexas e fazem suas opiniões a partir de um único
ponto de vista, esquecendo a multidimensionalidade do universo social
e político que vivemos.
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