ESTÁ NA HORA DE TENTARMOS NOVAMENTE PROIBIR O COMÉRCIO DE ARMAR E MUNIÇÃO!

Este texto foi escrito em 2005, no dia seguinte ao referendo sobre a proibição da comercialização de armas de fogo e munições. Hoje, 26 de Janeiro de 2016, paro e olho para os últimos dez anos e me pergunto: quantas crianças foram vitima de arma de fogo no Brasil desde 2005? Quantas vidas poderíamos ter salvo? E a resposta que encontro é que não sei, e nunca saberemos. Ao reler esse texto, penso no que não fizemos ontem, mas podemos fazer hoje, e quem sabe salvar ao menos a vida daquele que ainda não se encontrou com uma bala perdida no caminho de sua vida.
Não faz muito tempo, eu vivi a esperança de que veria lojas e fábricas de armas fechadas, ou até mesmo, recicladas e transformadas em fábricas de brinquedos. Hoje, vimos a derrota dos sonhadores e a vitoria daqueles que não tiveram seus filhos levados por balas perdidas. Naquele dia, não muito distante, vimos vencer a democracia, porque foi o povo que assim decidiu.
Mas o que é a Democracia? Será que eu realmente sei o que é a democracia? Será que eu entendi direito? Se democracia for o tipo de governo onde a população elege os seus representantes, e logo, é responsável pelo seu futuro, se for isso, então não nos resta que lutar para que junto com a democracia venham a educação e a consciência que somos os únicos responsáveis por todo bem, e mal, que está possa vir a causar.
Como pernambucano, fiquei muito feliz em saber que no estado onde nasci o referendo mostrou que os pernambucanos estão cansados desta guerra inútil e deste faroeste que se transformaram as nossas cidades. Fiquei triste, como brasileiro, por saber que em grande parte deste maravilhoso país as pessoas não acreditaram que aquele pequeno passo pudesse transforma-se no início de um Brasil de paz. Graças aos políticos, transformamos, mais uma vez, uma questão social e de máxima importância, em palanque eleitoral e discussão partidária. Mas foi bom! Demos prova que podemos e queremos ser coprodutores de um futuro, seja no bem ou no mal. Fizemos uma escolha, e ela deve ser respeitada. Aqui está o direito essencial do respeito as opiniões adversas. Aqui está a regra de uma convivência pacífica e a certeza, e esperança, de que algum dia teremos um Brasil nosso, do povo, seja no melhor quanto no pior.
Até alguns anos podíamos dizer que a responsabilidade era dos governantes, dos ditadores, dos militares, dos usurpadores da liberdade, etc. Agora não! Nós somos os responsáveis!
A responsabilidade não é apenas dos que votaram Sim ou Não naquele bendito referendo sobre sim ou não a proibição da venda de armas. A responsabilidade é também daqueles que não votaram, daqueles que anularam o seu voto, dos que não estavam em seus domicílios eleitorais. Até mesmo porque se a nossa lei eleitoral não considera os cidadãos brasileiros residentes fora do país, e seus domicílios eleitorais, em todos os pleitos, nós também somos responsáveis. A tecnologia e a internet, o sistema eletrônico de votação, que recordando somos os pioneiros, está ai para facilitar e melhorar as nossas vidas, basta vontade política e pessoal.
Por isso eu acredito no Brasil, no de hoje e no de amanhã, mas me esforço para não me esquecer do de ontem. É importante mantermos viva a nossa memória histórica. Conhecer o nosso passado pode nos ajudar a não repetirmos erros no futuro, e quem sabe ainda no presente.

O referendo para a proibição do comércio de armas e munição no Brasil foi mas um exemplo de democracia. Estamos avançando, muito lentamente, mas estamos. Repito, acho que nos confundiram as ideias com aquela coisa do Não para deixar e Sim para proibir. Ambas as campanhas usaram de seus argumentos, tanto uma quanto a outra. Fizeram o melhor para conscientizar os seus simpatizantes.
Na verdade, o referendo serviria para fechar lojas e fábricas. Não diminuiria a violência, em sua maior parte. Quem pensou, passou e deixou nascer essa ideia, enganou-se. Falei com várias pessoas e ouvir muitas dizerem que os únicos desarmados seriam os cidadãos! Se alguém pensa assim, eu posso entender. Mas se a resposta vem como resposta feita, acredito que um pensamento coletivo neste sentido foi elaborado e repassado. Sem querer olhar para a casa do vizinho, mas olhando, cito dois países que, ambos considerados ricos e desenvolvido hão situações completamente diversas um do outro, sem falar que estão geograficamente lado a lado: EUA e Canada.

Nos EUA o número de crimes, violência e mortes causadas por armas de fogo, todos nós sabemos, é altíssima. Já em seu vizinho, o Canada, o número é baixíssimo. Nos EUA, o porte de arma é legal e, segundo meu ver, até facilitado. No Canada, o porte de arma também é legal, e pelo o que me consta, todos podem haver desde de que possuam condições estabelecidas

O porte de armas continua sendo proibido. O cidadão não podia, e continua sem poder, possuir armas sem registro. Então nada, eu digo, nada mudaria em relação ao uso e ao porte de arma. Vencemos todos com o referendo do dia 23 de Outubro de 2005, perdemos todos nos dias que se antecederam ao referendo. Vencemos quando exercitamos o nosso direito a democracia. Perdemos, mas uma vez, na maneira como utilizamos esses direitos. Eu perdi no referendo porque teria votado pela proibição. Mas venci, porque eu pude, em quanto me foi possível, praticar os meus direitos de cidadão: expor e defender as minhas convicções políticas e ideológicas, sem ser penalizado por estas. Agora cabe a mim e a todos aqueles que votaram Sim fazer com que essa decisão seja respeitada, e respeitá-la, para que amanhã, também, possamos cobrar ao outro lado o respeito a futuras decisões que espero podermos decidir juntos, nos inúmeros referendos que espero que venham a acorrer durante o fortalecimento da nossa democracia.


Como filho da esperança que sou, eu continuo a fazer o jogo de Poliana, ou seja, procuro vê o lado positivo deste momento político. Eu, como pacifista, perdi o referendo. Mas como pacifista e democrático, venci e hoje estou aqui para pedir em nome das milhares de vitimas destas armas que continuam abreviando vidas, que ESTÁ NA HORA DE TENTARMOS NOVAMENTE PROIBIR O COMÉRCIO DE ARMAR E MUNIÇÃO. 

Estou feliz por poder dizer isso! Viva a Democracia!

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